Quanto nós realmente vemos?

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Quanto nós realmente vemos?

eye-1510999Olhe para fora da janela e, em seguida, feche os olhos. O que você vê? Talvez você tenha percebido que está chovendo e havia um homem carregando um guarda-chuva. De que cor é? Qual é a forma da sua alça? Você prestou atenção nesses detalhes? Provavelmente não. Alguns neurocientistas diriam que, mesmo que você tenha percebido muito poucos detalhes da cena da janela, seus olhos ainda assim capturaram tudo na sua frente. Mas há falhas nesta lógica, pesquisadores do MIT argumentam em um parecer publicado no Trends in Cognitive Sciences. Pode ser que a nossa visão só reflita a essência do que vemos.

“Inúmeros estudos afirmam que essa percepção de que a nossa experiência visual é tão rica e viva está simplesmente errada”, diz o primeiro autor Michael A. Cohen, um membro de pós-doutorado no Nancy Kanwisher Lab do Instituto McGovern para Pesquisa Cerebral do MIT. “Mas mesmo que nós apenas possamos ver um punhado de itens, nós definitivamente temos uma compreensão do mundo que nos rodeia — uma noção de em que tipo de cena estamos.”

Um método de estudo que os pesquisadores usam para quantificar nossa consciência visual envolve mostrar para pessoas lampejos de diferentes formas ou objetos em uma tela de computador e perguntar de quantos detalhes eles podem se lembrar. Na maioria dos casos, os indivíduos informam quatro ou cinco respostas corretas. A exceção é quando os indivíduos estão preparados para procurar algo com antecedência, o que muda em que eles prestam atenção. Este foco seletivo é parte da razão pela qual os cientistas cognitivos não conseguem concordar com o que nós realmente “vemos”, porque a visão não deve ser tão variável.

Para Cohen, no entanto, a consciência é uma combinação de vários processos, incluindo foco e memória, que nos ajuda a tomar decisões sobre ações futuras. Ele aponta para estudos que sugerem que nossos cérebros estão predispostos a assimilar rapidamente grandes objetos e cenas (por exemplo, uma estrada, um parque, uma loja) em frações de segundo. Vislumbre pela janela e você assimila a profundidade, navegabilidade, abertura e temperatura do ambiente. O cérebro capta alguns detalhes — por exemplo, você não apenas vê um homem e um guarda-chuva, vê também que o homem está carregando o guarda-chuva. Mas a maior parte da nossa percepção visual pode literalmente ser focada “no todo”.

“Uma das coisas úteis sobre este campo de estudo é que existem muitos casos em que a sua experiência subjetiva é equivocada e a ciência pode revelar um monte de coisas sobre sua própria consciência das quais você não estava necessariamente consciente”, diz Cohen. “Há muitos experimentos em que as pessoas ficam muito surpresos com os limites de suas próprias experiências cognitivas.”

Se vemos menos do que pensamos, os outros sentidos provavelmente seguem regras semelhantes. Há evidências de que a percepção auditiva também depende da essência de todos os sons que ouvimos. Da janela, você assimila os sons da chuva caindo, pássaros cantando e motores de automóveis, mas o que você está deixando de fora é o zumbido de postes ou a conversa acontecendo na calçada. Mais uma vez, as orelhas apenas capturam a essência do ambiente.

Outros pesquisadores provavelmente vão discordar com a forma como Cohen e os co-autores – Kanwisher e o cientista cognitivo da Universidade Tufts, Daniel Dennett – limitam a consciência pela largura da memória e do poder de tomar decisão. Sem mencionar que eles não podem refutar que nós não “vemos” tudo em uma cena.

“É muito difícil medir a consciência objetivamente, sem confundir reportabilidade com experiência subjetiva”, diz Cohen. “Eu acho que este trabalho nos dá a esperança de que podemos preencher a lacuna entre o que nós, como cientistas, podemos quantificar e as impressões subjetivas que as pessoas têm quando elas abrem seus olhos.”

Fonte: MNT

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