Coquetel de drogas poderia restaurar a visão em casos de lesão do nervo óptico

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Coquetel de drogas poderia restaurar a visão em casos de lesão do nervo óptico

As áreas brancas nessa imagem mostram a regeneração extensiva de fibras nervosas (axônios) no sistema nervoso central atingido por terapia de genes depois de uma lesão ao nervo óptico. (As áreas azuis indicam tecido cicatricial.) Ao adicionar uma droga de bloqueio do canal de potássio ao tratamento, Fagiolini e colegas puderam aumentar a condução nos nervos regenerados e, com isso, restaurar a função visual. Crédito:Fengfeng Bei, PhD

As áreas brancas nessa imagem mostram a regeneração extensiva de fibras nervosas (axônios) no sistema nervoso central atingido por terapia de genes depois de uma lesão ao nervo óptico. (As áreas azuis indicam tecido cicatricial.) Ao adicionar uma droga de bloqueio do canal de potássio ao tratamento, Fagiolini e colegas puderam aumentar a condução nos nervos regenerados e, com isso, restaurar a função visual. Crédito:Fengfeng Bei, PhD

As áreas brancas nessa imagem mostram a regeneração extensiva de fibras nervosas (axônios) no sistema nervoso central atingido por terapia de genes depois de uma lesão ao nervo óptico. (As áreas azuis indicam tecido cicatricial.) Ao adicionar uma droga de bloqueio do canal de potássio ao tratamento, He, Fagiolini e colegas puderam aumentar a condução nos nervos regenerados e, com isso, restaurar a função visual. Crédito:Fengfeng Bei, PhD

Uma pesquisa feita no Hospital de Crianças de Boston sugere a possibilidade de restaurar pelo menos alguma função visual em pessoas cegas por lesões do nervo óptico por glaucoma ou por trauma.

Como reportado pelo periódico Cell, os cientistas restauraram a visão em ratos com lesão do nervo óptico ao utilizar terapia de genes para fazer os nervos se regenerarem e — um passo crucial — adicionar uma droga de bloqueio de canal para ajudar os nervos a conduzirem impulsos dos olhos ao cérebro. No futuro, eles acreditam, o mesmo efeito poderia ser atingido somente com drogas.

No estudo, ratos, anteriormente cegos, viraram suas cabeças para seguir padrões de barras que se deslocam depois de terem sido tratados com a terapia de genes, dizem os co-investigadores seniors Zhigang He, PhD, e Michela Fagiolini, PhD, do Departamento de Neurologia e do Centro Neurobiológico F.M. no Hospital de Crianças de Boston. Os técnicos que fizeram os teste não sabiam quais ratos haviam sido tratados.

“Ao fazer as barras mais e mais finas, nós descobrimos que os animais não podiam somente ver, mas também haviam melhorado significativamente o quão bem eles podiam ver,” diz Fagiolini.

Apesar de outros times, incluindo um no Hospital de Crianças de Boston, restaurarem a visão parcial em ratos, eles contaram com técnicas genéticas que só podem ser feitas em um laboratório. Geralmente, os seus métodos envolvem eliminar ou bloquear genes supressores de tumores, o que encoraja a regeneração mas também pode causar câncer. O novo estudo é o primeiro a restaurar a visão com uma abordagem que poderia ser usada em clínica realisticamente, e que não interfere com os genes supressores de tumores.

Fazendo os nervos conduzirem

O avanço chave para restaurar a visão foi fazer com que os nervos fibrosos (axônios) além de formarem conexões com células cerebrais, também carregassem impulsos (potenciais de ação) todo o caminho desde o olho até o cérebro.  O desafio foi o fato de que as fibras cresciam novamente sem o revestimento isolante conhecido como mielina, que ajuda a propagar os sinais nervosos a longas distâncias.

“Nós descobrimos que os axônios regenerados não são mielinizados e têm uma condução pobre — a velocidade do trajeto não é rápida o suficiente para sustentar a visão,” diz He. “Nós precisamos de uma maneira para superar esse problema.”

Buscando informação na literatura médica, eles aprenderam que um bloquedor do canal de potássio, 4-aminopyridine (4-AP), ajuda a fortalecer os sinais nervosos quando a mielina está ausente. A droga é vendida como AMPYRA para esclerose múltipla, que também envolve a perda de mielina. Quando eles adicionaram isso, os sinais conseguiram ir por longas distâncias.

Um paradigma para tratar glaucoma e lesões do nervo óptico

Apesar de o estudo ter usado um vírus de terapia genética chamado AAV para transmitir os fatores de crescimento que causavam a regeneração (osteopontina, fator de crescimento 1 semelhante à insulina e fator neurotrófico ciliar), He e Fagiolini estão fazendo testes para descobrir se injetar um “coquetel” de proteínas de fator de crescimento diretamente no olho poderia ser igualmente eficaz.

“Nós estamos tentando entender melhor os mecanismos e quão frequentemente as proteínas teriam que ser injetadas,” diz He. “O vírus de terapia genética que usamos é aprovado para estudos clínicos em doenças oculares, mas uma medicação seria ainda melhor.”

Com o pontapé inicial da regeneração, uma droga 4-AP ou similar poderia ser administrada sistematicamente para manter a condução nervosa. Entretanto, como o 4-AP tem potenciais efeitos colaterais, incluindo convulsões se administrado cronicamente, He e Fagiolini começaram a fazer testes adicionais que são potencialmente mais seguros a longo prazo.

Os pesquisadores continuam testando os ratos para melhor entender a extensão da recuperação visual e para saber se a abordagem deles poderia fazer com que a mielina voltasse crescer com o tempo.

“As drogas poderiam ser usadas em paralelo com treinamento visual para facilitar a recuperação”, diz Fagiolini. “Mas agora nós temos um paradigma para superar.”

Fonte: MNT

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